Uma pílula que promete turbinar sua inteligência e a capacidade de concentração. Quem não desejaria isso? Parece coisa de ficção científica, mas é justamente isso o que muitos jovens, principalmente universitários e concurseiros acreditam que o metilfenidato, um psicoestimulante tarja preta indicado para tratar um transtorno psicológico, é capaz de fazer.

O uso indiscriminado dessa drogas traz riscos e, segundo especialistas ouvidos pelo g1, não apresentam comprovação científica de que “aumente a inteligência”. Pode sim atuar sobre a capacidade de concentração, mas também ter como efeito colateral aumento da ansiedade, dores de cabeça, perda de apetite e até mesmo gerar alucinações ou piorar quadros de esquizofrenia ou transtorno bipolar.

O que é metilfenidato e como é o mecanismo de ação dele?

 

O cloreto de metilfenidato, vendido com os nomes comerciais de Ritalina e Concerta, faz parte de uma classe de medicamento chamada de psicoestimulantes, drogas que excitam o nosso sistema nervoso central. Isso quer dizer que, assim como a cafeína, nicotina, cocaína e até mesmo as anfetaminas, ele causa uma variação no nosso estado de humor, aumentando o estado de alerta e excitação do corpo.

Como os nossos neurônios se comunicam uns com os outros, esses medicamentos atuam justamente na parte do nosso cérebro que é o local de contato entre as células nervosas, as sinapses. São nessas regiões que as informações necessárias para o funcionamento do nosso organismo são transmitidas.

Esse processo todo de troca de informações acontece por meio dos chamados neurotransmissores, moléculas mensageiras que são liberadas de um neurônio para outro.

Depois que os neurotransmissores passam seu recado, eles são então degradados ou voltam para a célula nervosa. Mas diferente de outros medicamentos que aumentam o estoque dessas substâncias, como a adrenalina, o metilfenidato atua inibindo a recaptação dessas moléculas, estimulando cada vez mais os neurônios e, assim, os processos de concentração.